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sábado, 22 de outubro de 2011

Intertexto – Bertold Brecht (1898-1956)


Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Não existe mais quem lute por mim.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Melancolia


Minha vida está diferente, nunca imaginei acabar assim!
A solidão incomoda cada vez mais, apesar de encontrar-se rodeado de pessoas;
Todos os meus sonhos vão-se esvaindo de mim, e parece-me que nada posso fazer;
A não ser me apegar cada vez mais a esta distancia infinita;
Não me pergunte por mim, já não sei mais quem sou;
Completamente perdido e desiludido com tudo e todos;
Já não posso mais ser uma referencia;
Amor, amar pra quê? Se já não sei mais nem os sinônimos!
Todas as vezes que me busco, só encontro silencio;
Por não mais me conhecer; desconheço meus sentimentos!
Sinto vontade de gritar, mais o grito não sai!
Sinto vontade de amar, mais o amor não aparece!
Sinto vontade de morrer, por isto me escondo.
Acredito muito em Deus, mas perdi toda esperança no ser humano;
É chato só observarem meus erros e me imputarem erros;
Mesmo os que me conhecem!
Não suportam a verdade, mas gostam de se sentirem úteis... Falando uns dos outros!
E nunca estão satisfeitos, nem com eles mesmos!
Então vou me calar, deixar este vazio só em mim;
Não quero contaminar mais ninguém;
Já que não presto;
Reservar-me-ei a minha humilde insignificância, poupando a todos;
Do meu contato; da minha voz; dos meus erros;
Na esperança que um dia;
Possa enfim, ser resgatado desta melancolia.
Amo-te Senhor meu Deus; não desista de mim;
Faz-me sorrir novamente;
Um sorriso franco, ingênuo e sonhador.
Permita-me que seja feliz, principalmente comigo.

Sandro Torres


sábado, 15 de outubro de 2011

O Amor


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..

Sorri

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Síntese

Por favor, não me analise
Não fique procurando
cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise
profunda, quanto mais eu!
Ciumenta, exigente, insegura, carente
toda cheia de marcas que a vida deixou:
Veja em cada exigência
um grito de carência,
um pedido de amor!

Amor, amor é síntese,
uma integração de dados:
não há que tirar nem pôr.
Não me corte em fatias,
(ninguém abraça um pedaço),
me envolva todo em seus braços
E eu serei perfeita, amor!

Do livro "Bom dia amor!", 1990

Mirthes Mathias